Material do Professor

Tecnologia & Sociedade

Introdução

Caro(a) professor(a),

Por que chegamos até aqui?

Temos duas respostas para  essa pergunta, uma delas pedagógica e outra social. Se por um lado a educação brasileira está passando por um processo de transformação não somente com a chegada da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), mas também com a reformulação do Ensino Médio, por outro temos também os grandes avanços tecnológicos e suas consequências para a sociedade. A junção desses dois cenários nos levaram à elaboração de um projeto integrador que tem como objetivo promover uma reflexão aprofundada dos alunos sobre os temas vinculados à tecnologia.

Do ponto de vista pedagógico, um projeto integrador tem duas características fundamentais. A metodologia de ensino baseada em projetos, que configura-se como metodologia ativa, coloca o aluno como protagonista no seu processo de aprendizagem, auxiliando-o assim a assumir um papel de maior autonomia frente aos problemas que lhe são apresentados. Soma-se a isso o fato de que o trabalho coletivo é um ponto-chave em todas as aulas, contribuindo, assim, para o desenvolvimento de competências fundamentais para uma formação sólida dos educandos, que aprendem a dialogar e solucionar conflitos e, dessa maneira, passam a ver o outro como parte de si mesmos.

O papel do professor sofre uma mudança significativa quando se opera o processo de ensino-aprendizagem por meio de um projeto. Na medida em que os alunos passam a ser percebidos como parte central do processo, o professor deixa o papel de detentor e transmissor vertical do conhecimento e assume um novo lugar, o de mediador e provocador. 

Do ponto de vista ontológico, ao se definir os projetos como integradores, assume-se o risco de mesclar, em um único estratagema, diferentes saberes humanos que são, em geral, tratados de forma isolada em uma ou outra disciplina, perdendo seu caráter formador e, assim, contribuindo como exemplo para a diferenciação entre desenvolvimento da inteligência e ampliação da cultura. Ao integrar os diferentes saberes em um único projeto, exige-se daqueles que serão os responsáveis pelo seu desenvolvimento em sala de aula um esforço notável na busca pela ampliação do seu repertório cultural, científico e social e, ao se obter êxito na compreensão mais aprofundada, dá-se um passo em direção ao desenvolvimento de sua inteligência. Em um primeiro momento é necessário desenvolver esse olhar nos educadores para que, na medida em que ampliam seus horizontes, possam formar jovens capazes de pensar de forma livre.

Sob a ótica social, presenciamos, desde a Revolução Industrial, um rápido e inexorável avanço da tecnologia, que nas últimas décadas assumiu contornos jamais pensados. Hoje já vivemos com a presença da Inteligência Artificial (IA), automatização de processos por máquinas, relações sociais mediadas por uma tela, rastreamento de nossos deslocamentos, de sinais vitais, de intenções, entre outras coisas. Embora convivamos com a presença da tecnologia em nossas vidas e a consideremos como algo sempre benéfico, os efeitos colaterais gerados pelo seu avanço geram questões profundas que precisam ser refletidas e discutidas por toda a sociedade. O risco associado ao desconhecimento das consequências desses avanços é a irremediável perda da sua própria identidade pois, na medida em que sistemas digitais inteligentes passam a conhecer você melhor do que você mesmo, temos a descaracterização da nossa existência.

É nesse contexto de reflexão crítica que os temas e as atividades serão propostos nas próximas aulas. Discutiremos, dentro de parâmetros bem estabelecidos, a questão da extinção de vários tipos de empregos, em especial aqueles que não necessitam de mão-de-obra qualificada. Dilemas morais serão resgatados de seu universo acadêmico e levados aos alunos de forma que eles possam reconhecer sua importância dentro de contextos reais.

A organização dos temas e das propostas de atividades podem ser encontradas em suas seções específicas. Uma das nossas principais preocupações em relação ao fazer pedagógico é não engessar o trabalho do professor. Isso significa que os materiais e propostas pedagógicas podem ser dimensionados de acordo com o calendário escolar, especificidade das turmas e professor(a) ou qualquer outra questão. Um bloco de aulas sobre determinado assunto pode ser omitido sem maiores prejuízos ao aprendizado dos alunos, visto que a intenção principal do projeto não é transmitir conteúdo aos alunos, mas sim promover espaços de reflexão, discussão e trabalho coletivo, o que é realizado em todas as aulas propostas.

Algumas aulas foram intencionalmente produzidas para se adaptar à realidade da escola e da turma. Essas aulas exploram diferentes formatos de mídia, tais como filmes, documentários, entrevistas, etc. Verifique previamente se é possível inserir essas aulas no contexto da sua escola. Por exemplo, uma aula sugerida propõe que os alunos assistam a um filme, que está disponível online, mas requer uma conta de acesso ao serviço. Como proposta de atividade, os alunos devem, ao longo do filme, submeter seus comentários individuais por meio de um formulário eletrônico usando os próprios telefones celulares. Ao final do filme você terá um documento eletrônico contendo as análises de todos os alunos e que, na verdade, se trata de uma grande síntese coletiva da obra cujos alunos são os autores. Você poderá retomar as observações feitas por eles e gerar uma grande discussão sobre o tema em questão. 

Por fim, as propostas de produto final para os alunos também são concebidas de forma flexível, uma vez que escolas possuem diferentes dinâmicas e realidades sociais. Você poderá optar por uma das propostas de produto mas, caso prefira, pode pensar um produto inteiramente novo. A avaliação desse produto final é baseada em rubricas de avaliação, que são ferramentas importantes para não somente avaliar os alunos de forma mais ampla, mas também para explicitar à eles quais são as habilidades que se deseja desenvolver ao longo do processo. Assim que definido o produto final, discuta com os(as) alunos(as) as rubricas de avaliação, evidenciando os aspectos pedagógicos que se pretende avaliar, fazendo com que os estudantes façam realmente parte do processo.

Na próximas partes do manual do professor daremos algumas orientações para que o trabalho possa ser desenvolvido dentro das expectativas não somente do tema deste projeto, mas acima de tudo dentro das expectativas da aprendizagem baseada em projetos.

Esperamos que todos aproveitem muito o desenvolvimento do projeto e, caso encontre algum problema com nossos materiais, não hesite em nos contar.