Material do Professor

Orientações

Mais do que um manual que traz apenas as respostas esperadas para as questões, procuramos trazer informações importantes tanto do  ponto de vista pedagógico como sobre o assunto trabalhado em cada aula. Isso significa que você encontrará diversas indicações de vídeos e leitura que tem como objetivo ampliar seu repertório sobre os assuntos que serão tratados em cada aula. Cada um deles foi cuidadosamente selecionado e auditado em fontes confiáveis de informação e, em alguma situações, podem ser indicados para alunos e alunas que desejam ampliar ainda mais seu conhecimento. 

Cada escola possui características e demandas próprias e, assim, não podemos oferecer um curso fechado em si mesmo que não contemple essas peculiaridades. O projeto integrador “Tecnologia & Sociedade” possui 28 aulas com quantidades variáveis de atividades em cada uma delas. 

Como as 28 aulas são apresentados de forma individual, você professor(a) pode personalizar o seu curso selecionando os temas mais interessantes/adequados à turma e ao calendário escolar. É importante lembrar que, além das aulas, ainda é necessário reservar, no mínimo, 2 aulas para o desenvolvimento do produto final.

Embora o domínio de um conteúdo sempre seja importante na vida profissional de um docente, a aprendizagem baseada em projetos tem seu foco de atenção nos processos de aprendizagem dos alunos. Isso significa que seu papel é articular a organização da aula promovendo a autonomia dos alunos. 

Obviamente, autonomia não é algo que se desenvolve da noite para o dia e, assim, dependendo dos alunos e da turma, esse processo pode levar algumas aulas para se desenvolver. Isso se torna ainda mais significativo quando temos vivências de aulas pelos alunos com foco apenas na absorção de informações apresentadas pelos professores e, dessa maneira, os alunos muito provavelmente irão estranhar esse formato de aula em um primeiro momento. Mas lembre-se, tudo é um processo e, como tudo na educação, possui intencionalidades que foram exaustivamente pensadas.

Nem toda turma tem autonomia para formar grupos de trabalho de forma a incluir todos os alunos. Muitas vezes alunos são deixados de fora dos grupos por não conseguir criar algum tipo de vínculo com os colegas de turma. Caso sua turma apresente essa característica, o seu papel será o de intervir no processo. Uma forma simplista de se fazer isso é você mesmo formar os grupos, pensando no papel individual que cada aluno apresentará dentro do grupo, mas isso requer um conhecimento inicial sobre o desenvolvimento individual de cada aluno, o que nem sempre é possível. 

Ao formar os grupos de forma unilateral, entregamos um processo pronto para eles, e ao não permitir que participem desse processo perdemos uma ótima oportunidade de ensiná-los como devem trabalhar em grupo, já começando pela formação dos mesmos. Temos que ter atenção especial com estudantes que apresentam algum tipo de particularidade que exija atenção especial em seu processo de aprendizagem. Dependendo da turma podemos ter uma grande tendência à exclusão desses alunos e nesse momento a intervenção do(a) professor(a) é fundamental. Se for esse o caso, nossa sugestão é que os grupos deverão ser formados previamente pelo(a) professor(a) de forma a não expor esses(as) alunos(as). Contudo, existem turmas altamente inclusivas e se responsabilizam prontamente em trazer esses(as) alunos(as) para os grupos.

Por outro lado, caso sua turma possua autonomia suficiente para formar grupos, permita que eles o façam, mas acompanhe de perto esse trabalho inicial.

A grande maioria das aulas do presente projeto estão fortemente apoiadas no processo de leitura de textos produzidos exatamente para esse tipo de trabalho pedagógico. Ao mesmo tempo, algumas aulas indicam a leitura de textos produzidos por terceiros e, nesse caso, sempre nos preocupamos em ensinar os alunos sobre a fonte ser ou não confiável. Ao ter grande enfoque na leitura de textos, explicitamos a importância que a capacidade de ler e interpretar textos têm para o desenvolvimento da autonomia dos educandos.

Para além da leitura, todas as aulas apresentam atividades de escrita em que os(as) alunos(as) devem recorrer a um vocabulário amplo, produzindo textos coesos e coerentes. Ainda, o poder de argumentação também deve ser levado em consideração no momento da correção das atividades.

A aprendizagem baseada em projetos requer, como já dissemos anteriormente, o desenvolvimento de autonomia por parte dos(as) alunos(as). O trabalho docente passa por modificações profundas na medida em que seu papel passa ser o de mediador do processo de aprendizagem dos alunos e aqui o papel da devolutiva, tanto para o grupo como para para alunos e alunas individualmente, assume relevância por permitir que os(as) mesmos(as) possam ter referências de como seu processo de aprendizagem está se desenvolvendo. Isso assume significado ainda maior quando consideramos que os projetos integradores não têm sua avaliação mediada por prova, mas sim por avaliações distintas e constantes que, sem uma devolutiva adequada, podem não ter significado para os estudantes.

Diferente das aulas com as quais a maioria dos(as) professores(as) estão acostumados(as), os projetos integradores, como o próprio nome sugere, integram conhecimentos de diferentes áreas do saber humano, o que resulta em um terreno que não é necessariamente dominado pelos(as) educadores(as) e, dessa maneira, é necessário ampliar seu repertório sobre o assunto. Os materiais oferecidos no Manual do Professor se constituem como um bom início, mas talvez seja necessária a busca por mais fontes dependendo dos seus conhecimentos iniciais acerca do tema. Contudo, embora tenhamos conceitos fechados e bem estabelecidos, outros ainda carecem de mais estudos e, assim, estão abertos à múltiplos entendimentos.

Outro aspecto importante está relacionado com a infraestrutura que pode ser oferecida pela escola, principalmente na questão do acesso à internet. Planeje com antecedência a requisição dos dispositivos que serão utilizados em aula para evitar surpresas.

Podemos ter muitas dúvidas, mas também temos diversas certezas. Uma delas diz respeito ao ambiente onde as aulas acontecem. A aprendizagem baseada em projetos não cabe dentro de uma sala de aula com carteiras enfileiradas de frente para uma lousa em que o professor escreve seus conteúdos. Pelo contrário, a aprendizagem baseada em projetos precisa de um ambiente que é a própria antítese das sala de aula convencional.

Infelizmente nem toda escola possui espaços dedicados à metodologias ativas de aprendizagem, mas isso não nos impede de manejar nossas salas de aula para que assumam conformações mais amigáveis à essa proposta pedagógica. Assim, se você só tem à sua disposição salas de aula convencionais, precisaremos “mexer” um pouquinho nelas:

1 – Rompa com a distribuição de carteiras em fileiras. Junte as mesas para que os alunos possam trabalhar em grupo. Isso pode ser feito de maneira a formar uma circunferência ou, preferencialmente, uma grande mesa única. 

2 – Dê preferência, se possível, para salas de aula que possuam computador conectado à internet, projetor, tela de projeção e caixas de som. Isso é importante para aulas que apresentam vídeos em sua proposta pedagógica. Assim, ao invés de os alunos assistirem ao vídeo de forma individual, cada um com seu smartphone, todos podem ver em uma única tela, o que melhora o tráfego de internet no restante da escola (em especial naquelas em que a internet tem uma banda muito limitada).

3 – Algumas aulas não precisam ser realizadas com os alunos fechados em quatro paredes. Procure espaços abertos na escola que possam ser utilizados pelos alunos e alunas. Mas lembre-se que você deverá tê-los sempre à vista e circular entre os grupos para acompanhar seu trabalho. Portanto, limite o espaço que pode ser utilizado pelos estudantes.

Todo programa de educação que utiliza a metodologia de ensino baseada em projetos tem como foco a elaboração de um ou mais produtos ao longo do seu processo. Para além dos produtos, tal metodologia de ensino permite que diversas habilidades possam ser trabalhadas com os alunos. Assim, nesse novo ambiente de aprendizagem, seria incoerente realizar a avaliação dos alunos por meio de provas.

Cada aula planejada nos projetos integradores é pensada para promover diferentes interações entre os alunos e o conhecimento. Por exemplo, o objetivo de uma determinada aula pode estar no desenvolvimento da habilidade de expressão em público e, assim, o conteúdo elencado para essa aula deve ser pensado como um caminho para o que se deseja desenvolver. Nesse sentido, a avaliação da apresentação dos alunos deve estar focada em características como oralidade (articulação da fala), corporalidade (capacidade de dominar os espaços da apresentação e se expressar por meio de movimentos), organização (desenvolvimento e uso de suportes adequados à sua apresentação), entre outros. 

Para garantir que as avaliações sejam realizadas de forma coerente com os objetivos do projeto, os processos de avaliação são mediados por rubricas de avaliação que estabelecem parâmetros claros para educadores e educandos. Essas rubricas de avaliação são organizadas em múltiplas dimensões e subdimensões e podem ser encontradas neste manual do professor.

Muitas fontes de informação não estão em língua portuguesa e é um desperdício não poder utilizá-las. Em nossos projetos indicamos, por diversas vezes, diversas fontes em outra língua. Os navegadores de internet possuem um recurso de tradução automática dos textos e saber como utilizá-lo é muito valioso para quem não tem domínio de outro idioma, em especial do inglês. Para os(as) alunos(as) que possuem domínio do inglês, peça sempre para eles(as) manterem o texto em seu formato original, ampliando, assim, o contato com a língua estrangeira por meio dos projetos.

Para realizar a tradução automática de uma página inteira (utilizando o navegador Google Chrome), clique com o botão direito do mouse em qualquer espaço da página selecione a opção “Translate to português”, como pode ser observado na imagem abaixo:

Figura 1 – página em inglês e o menu flutuante com a opção “Translate to portuguese”

Observe a tradução completa da página:

Figura 2 – Observe que a página foi completamente traduzida para a língua portuguesa.

Da mesma forma como indicamos fontes escritas em língua inglesa, algumas atividades e indicações de referências em vídeos também são feitas dessa maneira. O YoutubeⓇ possui uma ferramenta de geração de legendas com tradução simultânea. Para aprender a usar esse recurso, observe as imagens abaixo:

Figura 3 – Observe que quando o cursor do mouse passa por cima do player de vídeo um menu surge na parte de baixo do mesmo. Clique no símbolo “CC”, indicado na imagem acima para ativar as legendas. IMPORTANTE: Essas legendas são geradas automaticamente por uma inteligência artificial que faz o reconhecimento da fala e a converte automaticamente em texto.

Figura 4 – Após ativar a legenda, clique no botão de configurações (Settings) indicado pelo número 2 na imagem acima. A seguir, clique em “Subtitles/CC”, indicado na figura pelo número 3.

Figura 5 – Agora, clique em “Auto-translate”, como indicado na figura (4).

Figura 6 – Existem inúmeras opções de idiomas, organizadas em ordem alfabética. Selecione “Portuguese”. A legenda será automaticamente gerada e traduzida para a língua portuguesa (5).

Em diversos momentos os alunos serão convidados a realizar pesquisas na internet sobre conceitos, definições, estatísticas, entre outras coisas. O objetivo dessa proposta é permitir o desenvolvimento da autonomia dos alunos na busca por informações e o(a) professor(a) deve atuar de maneira a auxiliá-los nessa busca. Dessa forma, é necessário que o(a) professor(a) saiba utilizar bem recursos de pesquisa, como o próprio Google. Observe que trata-se de uma forte quebra de paradigma, tanto para professores(as) como para alunos(as), que estão acostumados com materiais que trazem as informações prontas. Lembre-se que as intenções por trás dos projetos integradores não é fornecer informações sobre assuntos ou temas de interesse dos alunos, mas sim usar esses temas e interesses para promover o desenvolvimento de outras habilidades, como a própria capacidade investigativa, por exemplo.

Todo projeto integrador por nós desenvolvido é projetado para possuir uma produção final que represente de forma ampla o aprendizado dos alunos ao longo do processo. Importante salientar que esse aprendizado não está relacionado somente com o tema do projeto em si, mas também, e principalmente, com as competências e habilidades que foram desenvolvidas ao longo das aulas. O tema de cada projeto serve como uma plataforma na qual as competências e habilidades são trabalhadas, de forma intencional, com os alunos. Portanto, a atividade de encerramento do curso deve estar mais vinculada à essas competências e habilidades desenvolvidas do que com especificidades do tema do projeto.

Para que os(as) alunos(as) possam desenvolver um produto final significativo e representativo do seu processo de aprendizagem é necessário tempo para que eles(as) possam trabalhar em sua elaboração, em especial quando se trata de um projeto em que o trabalho coletivo é um dos focos de desenvolvimento. Assim, o planejamento deve contemplar, pelo menos, 2 aulas dentro da escola para  que os(as) alunos(as) possam se reunir. Nesse caso, as três últimas aulas estarão relacionadas com a atividade de encerramento do curso, sendo que na última aula ocorrerão as apresentações das produções.