Material do Professor

Eu e minha cidade

Introdução

Caro(a) professor(a),

Por que chegamos até aqui? 

Temos duas respostas para essa pergunta, uma de cunho pedagógico e outra de cunho social. Se por um lado a educação brasileira está passando por um processo de transformação não somente com a chegada da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), mas também com a reformulação do Ensino Médio, por outro temos também uma quantidade crescente de problemas enfrentados pelas cidades, como a violência urbana e alta produção de lixo, só para citar alguns. A junção desses dois cenários nos levaram à elaboração de um projeto integrador que tem como objetivo promover uma reflexão aprofundada dos alunos sobre como viver em sua cidade.

Os projetos integradores têm são desenvolvidos para serem implementados como disciplinas eletivas, tanto no Ensino Fundamental (anos finais) como no Ensino Médio.

Do ponto de vista pedagógico, um projeto integrador tem duas características fundamentais. Elaborados com base em metodologias ativas de aprendizagem, os projetos integradores colocam os alunos e alunas como protagonistas do seu processo de aprendizagem, auxiliando-os assim a assumir um papel de maior autonomia frente aos problemas que lhe são apresentados. Soma-se a isso o fato de que o trabalho coletivo é um ponto-chave em todas as aulas, contribuindo, assim, para o desenvolvimento de competências fundamentais de maneira a consolidar uma formação sólida baseada em valores de cooperação e empatia, aprendendo a dialogar e solucionar conflitos e, dessa maneira, passando a ver o outro como parte de si mesmos.

O papel do professor sofre uma mudança significativa quando se opera o processo de ensino-aprendizagem por meio de um projeto. Na medida em que os alunos passam a ser percebidos como parte central desse processo, o professor deixa o papel de detentor e transmissor vertical do conhecimento e assume um novo lugar, o de mediador e provocador. 

Do ponto de vista ontológico, ao se definir os projetos como integradores, assume-se o risco de mesclar, em um único estratagema, diferentes saberes humanos que são, em geral, tratados de forma isolada em uma ou outra disciplina, perdendo seu potencial. Ao integrar os diferentes saberes em um único projeto, exige-se daqueles que serão os responsáveis pelo seu desenvolvimento em sala de aula um esforço notável na busca pela ampliação do seu repertório cultural, científico e social e, ao se obter êxito na compreensão mais aprofundada dos diferentes processos abordados, dá-se um passo em direção ao desenvolvimento de sua inteligência. Em um primeiro momento é necessário desenvolver esse olhar para os educadores de forma que, na medida em que ampliam seus horizontes, possam formar jovens capazes de pensar de forma integral, livre e pautados pela ética.

 

Viver na cidade ou viver a cidade?

O grande desafio desse projeto integrador foi elaborar um material que possa ser utilizado em escolas de qualquer cidade. Isso significa que os processos de investigação propostos ao longo de todo o curso poderão ser desenvolvidos por estudantes tanto de escolas de pequenas cidades como das grandes metrópoles.

Pensamos que a importância desse curso para a formação dos jovens está vinculada ao contínuo movimento de afastamento e isolamentos das pessoas em “bolhas digitais”, que devemos entender como uma resposta aos múltiplos problemas que as cidades vêm enfrentando. Lugares que antes eram pontos de encontro das pessoas na cidade estão cada vez mais sendo substituídos por espaços virtuais que congregam pessoas que, em geral, nem mesmo compartilham as vivências da mesma cidade. 

É notório que os jovens, em especial aqueles que vivem em regiões metropolitanas, se afastam cada vez mais da cidade em que vivem. Nesse sentido, acreditamos que as atividades propostas ao longo do material permitem que os alunos (re)descubram a cidade em que vivem e passem a se interessar pelos múltiplos movimentos que nela existem. A construção do conceito de que uma cidade não se constitui apenas por estruturas físicas, como casas, prédios, ruas e avenidas, mas também, e principalmente, por pessoas, é um objeto de busca constante, aparecendo no material ora de forma explícita, como na aula “As virtudes do tempo”, ora de forma implícita como pode ser observado em tantas outras aulas.

A organização dos temas e das propostas de atividades podem ser encontradas na ementa abaixo. Uma das nossas principais preocupações em relação ao fazer pedagógico é não engessar o trabalho do professor. Isso significa que os materiais e propostas pedagógicas podem ser dimensionados de acordo com o calendário escolar, especificidade das turmas e professor(a). Por exemplo, um bloco de aulas sobre um determinado assunto pode ser omitido sem maiores prejuízos ao aprendizado dos alunos, visto que a intenção principal do projeto não é transmitir conteúdos formais aos alunos, mas sim promover espaços de reflexão, discussão e trabalho coletivo, o que é realizado em todas as aulas propostas.

Algumas aulas foram intencionalmente produzidas para se adaptar à realidade da escola e da turma. Essas aulas exploram diferentes formatos de mídia, tais como filmes, documentários, entrevistas, etc. Verifique previamente se é possível inserir essas aulas no contexto da sua escola. 

Por fim, as propostas de produto final para os alunos também são concebidas de forma flexível, uma vez que escolas possuem diferentes dinâmicas e realidades sociais. Você poderá optar por uma das propostas de produto mas, caso prefira, pode pensar um produto inteiramente novo. A avaliação desse produto final é baseada em rubricas de avaliação, que são ferramentas importantes para não somente avaliar os alunos e alunas de forma mais ampla, mas também para explicitar quais são as habilidades que precisam ser desenvolvidas ao longo do processo. Assim que determinado qual será o produto final, discuta com os(as) alunos(as) as rubricas de avaliação, evidenciando os aspectos pedagógicos que se pretende avaliar, ou seja, para os estudantes fazerem realmente parte do processo eles precisam saber o que se espera deles.

Na guia “Materiais”, você encontrará algumas orientações para que o trabalho possa ser desenvolvido dentro das expectativas não somente do tema deste projeto, mas acima de tudo dentro das expectativas da aprendizagem baseada em projetos.

Esperamos que todos aproveitem muito o desenvolvimento do projeto e, caso encontre algum problema com nossos materiais, não hesite em nos contar ;-P